Show de Volta ao Front (BH - 08/04/06)
(www.holocaustowarmetal.kit.net)

Cidade: Belo Horizonte/MG
Bandas: Holocausto e Eternal Torture

        "Oito de Abril de 2006. Uma data que já entra para a história do metal mineiro. Nesta oportunidade, o Holocausto – grande nome do estilo nos anos 80 – retornou aos palcos com a sua formação original, que há muitos anos não se apresentava ao vivo. O Matriz, tradicional espaço de shows em Belo Horizonte, teve a honra de sediar este importante acontecimento, prestigiado por cerca de 160 fãs dos mais variados tipos, contando com pessoas da “velha guarda” e outros que, por serem mais novos, não foram privilegiados em verem o grupo no palco em seus primeiros anos de carreira. Porém, indubitavelmente, mesmo com esta divergência de idade, o importante é que todos os presentes também entraram para a história como protagonistas deste evento que trouxe de volta este nome seminal, responsável pela edição do clássico Campo de Extermínio, de 1987, passando por outros lançamentos posteriores, até chegar no novíssimo De Volta Ao Front, lançado recentemente pelo selo Cogumelo. Entretanto, antes de reverenciar o Holocausto, estava reservada a abertura do Eternal Torture, nome local praticante do Death Metal, que veio a somar ainda mais para a qualidade do evento.
        Continuando na divulgação das fortes composições de Days Of Victory, mas também recheando o set list com novos temas, o Eternal Torture conferiu em sua passagem o porque de cada vez mais estar ganhando terreno no cenário extremo nacional. Na homônima “Eternal Torture”, que ficou escolhida para abrir a noite, o frontman Juliano “Spiga” mostrou suas vigorosas linhas guturais, sendo estas acompanhadas pelo sincronismo dos guitarristas Mauro “Bonebraker” e Bruno Alivis. Mesmo não contando com um baixista nesta ocasião – posto vago desde a saída de Gustavo Leondhart e que foi ocupado recentemente por Marcelo Xavier –, a sonoridade “gorda” do grupo não foi abalada, como ficou certificado em “Blood Of Betrayer” (possuindo um grandioso refrão), “Days Of Victory”, “Voices And Visions” e “Slavery To The Blind”. E os tímpanos dos presentes ainda foram acariciados por outros destaques, onde se notou a qualidade dos compositores do Eternal Torture em criar uma textura ímpar nas partes de guitarras denotando constantes mudanças nos riffs , ainda tendo como apoio as passagens do exímio baterista André Pignolati. Nisto, todos estes predicados foram vistos na seqüência final, marcada pelas faixas “Wide Roads”, “Hell’s Legion”, “Disturbance In Dreams” e “Lord Of War”. Ótima apresentação!
        Em seguida, iniciou-se um breve intervalo, mas este parecia sem fim e a ansiedade chegava em doses cavalares, mesmo junto a um sentimento infável que, em poucos momentos, seria convertido em reverência e, principalmente, loucura por parte de todos dentro
do Matriz. Anunciando o esperado momento, ecoava dos alto-falantes uma introdução, tendo em sua continuidade a entrada no palco de Valério Exterminator (guitarra/vocal), Anderson Guerrilheiro (baixo/vocal) e Rodrigo Führer (bateria/vocal). Naquele momento, através da matadora “Diretos Desumanos” e seu refrão bombástico, prosseguida de “Guerra Santa” – ambas do recente petardo De Volta Ao Front –, o sonho se tornara realidade aos belo-horizontinos seguidores do Holocausto, que agrupavam-se perante a grade de proteção vibrando junto dos seus ídolos. “Scória”, primeira da noite do clássico disco Campo de Extermínio, se destacou por suas bases de riffs cadenciadas feitas por Valério, enquanto a nova “Resista” mostrou que o grupo, mesmo passadas duas décadas de sua formação, continua apostando em letras de rico conteúdo. “Freedom Of Speech”, “Campo de Extermínio”, “Semente do Ódio”, “Ilusão Armada” (outra com refrão marcante) e “Forças Terroristas” mostraram uma formação esbanjando grande entrosamento, onde também é necessário ressaltar a exímia performance de Rodrigo Füher na bateria e linhas vocais – este que, no princípio da trajetória do grupo, ocupava o cargo de frontman.
        Não havia tempo para pegar um fôlego, conforme certificamo-nos nos próximos atos da apresentação, estes marcados por momentos especiais, a começar pela incrível execução de “Imagens da Violência” – um dos grandes temas do álbum De Volta Ao Front –, e chegando na clássica “Vietnã”, contando com a participação especial de Fernando Lima, vocalista do Drowned, que colocou a sua voz em outro número do histórico Campo de Extermínio. Antes de sair para um breve descanso e o retorno com um bis que poderia durar muitas horas, o Holocausto executou a faixa-título do seu novo lançamento, sendo que ela ficou ainda melhor em sua versão ao vivo, especialmente pelo impacto exercido em suas partes cadenciadas e, também, devido ao seu refrão bombástico. E foi-se a supracitada pausa, para, em seguida, ocorrer a volta ao palco com outras participações especiais, desta vez garantidas pelas presenças de Casito e Korg, respectivamente, do Witchhammer e Chakal. Tais presenças resultaram na homenagem ao movimento mineiro que marcou os anos 80, sacramentado através da emblemática faixa “Warfare Noise”, onde ambos os convidados revezaram a sua letra que, inclusive, foi composta pelo próprio Korg para De Volta Ao Front. Transbordando energia e um apreço pelo retorno oriundo da audiência, os integrantes do Holocausto guardaram para o final da apresentação a rápida “Miséria Humana", a inédita “Warcore” (grande promessa para o próximo full-lenght) e a contemplada “III Reich”, que teve o seu refrão berrado pelos fãs.
        Muitos eram os pedidos por outros minutos ao lado do Holocausto e, baseado neste desejo, o grupo resolveu alargar o set list e proporcionou o encerramento definitivo com “Guerrilha Urbana”, onde se viu uma roda de mosh que simbolizou o espírito deste evento num todo, tendo sido ele memorável à todos aqueles presentes no Matriz nesta data. Obrigado, Holocausto." - Por: Ayrton Ferreira Junior - Novo Metal Webzine
 
 

       "Foram necessárias quase duas décadas para que Valério Exterminator (guitarra/vocal), Anderson Guerrilheiro (baixo/vocal) e Rodrigo Führer (bateria/vocal) estivessem novamente juntos no palco. Novamente comandados pelo espírito de guerra. Novamente unidos para vencer mais uma batalha. Novamente o bom e velho War Metal, e seu pioneiro representante Holocausto.
        Em tão importante noite, antes do aguardado momento, coube ao competente Eternal Torture aquecer o público, com um Death Metal com altos teores de brutalidade, precisão, variação e bom gosto. Em seu segundo e último show com a formação enxuta, sem baixista (após a saída de Gustavo Leonhardt, que permaneceu no cargo por cerca de três anos), a banda conseguiu mostrar seu valor ao tímido público, que aos poucos ia se multiplicando. Destaques foram uma constante, como a arrebatadora Eternal Torture (que iniciou a noite), Days Of Victory (bateria soberba) e Voices And Visions (destaque maior, brutalíssima e com ótimos riffs). No quesito individual, performance impecável de cada membro, com o guitarrista Mauro “Bonebreaker” emitindo berros ao final de cada música, sinal de que o Eternal Torture não estava ali meramente como coadjuvante, e soube impor seu valor. Em tempo: a banda já anunciou seu novo baixista, e no próximo show já contará com Marcelo Xavier nas quatro cordas.
        Finalmente a postos, mas com as cortinas ainda fechadas, o 'power trio' renascido do Holocausto reuniu todo o público para perto do palco. Após uma longa e cansativa introdução de guerra, convocando todos a compartilharem o mesmo clima, a bombástica (sem trocadilho!) Direitos Desumanos foi o marco inicial. Marco de que Valério, Anderson e Rodrigo estavam novamente afiados, em pé-de-guerra (novamente, trocadilho não intencional). Sem muita presença de palco, as atenções se voltaram às máscaras de terroristas usadas pelos três, e à eficácia do Crossover agora praticado pela banda. Em quase todo o show, utilizaram a escala de duas músicas novas para cada antiga, e sob essa ordem logo vieram Guerra Santa e Scória. Na volta ao passado, a banda se saiu muito bem, fato notável com o pitoresco “mosh pit” formado por trintões e quarentões, que ali estavam para matar saudade dos velhos tempos. Sinal de que a volta já estava pra lá de aprovada.
        Os vocais divididos entre os três integrantes causavam relativo impacto, com vociferações mais rasgadas, guturais, gritadas, servidas de acordo com a demanda instrumental. Rodrigo, apenas vocalista na era Campo De Extermínio, assumiu o lugar que Armando “Nuclear Soldier” ocupava no álbum, passando a dividir as funções de baterista e vocalista atualmente. Tirando isso, nada impedia de se comparar o Holocausto atual ao de outrora, em sua fase áurea. Nessa exata seqüência, logo vieram Resista, Freedom Of Speech (matadora, com ótimos riffs e vocais), Campo De Extermínio (mosh!), Semente Do Ódio (Hardcore genuíno), Ilusão Armada, Forças Terroristas e Imagens Da Violência. O show parou para a entrada de Fernando Lima, vocalista do Drowned, em uma performance esforçada na faixa Vietnã, clássico da banda. De Volta Ao Front foi a próxima, anunciando o óbvio: será que alguém ainda não tinha chegado a essa conclusão?
        Um curto intervalo marcou um descanso, que logo trouxe o trio de volta aos palcos, com Rodrigo e Anderson sem as máscaras, trazendo consigo os velhos amigos de guerra Paulinho (Witchhammer) e Korg (Chakal), que dividiram os vocais, muito à vontade, na saudosista Warfare Noise. Uma música que refletiu bem a intenção do Holocausto em resgatar o passado, soando simples, porém eficaz. A reta final ocorreu com três músicas: a destacável Miséria Humana, a ríspida e tosca Warcore, primeira faixa apresentada do próximo trabalho (homônimo), mostrando sonoridade similar à do disco de retorno, e a derradeira III Reich, clássica, estonteante, muito festejada pelo público. Atendendo a pedidos pelo bis, e com o CD novo já executado na íntegra, era esperado o sexto clássico de Campo De Extermínio, mas a banda surpreendeu e executou outra composição inédita, Guerrilha Urbana, que fechou muito bem a volta do Holocausto aos palcos.
        A satisfação no rosto de 170 presentes marcou a boa receptividade da nova fase da banda. Nova, mas com cara de velha, e nem por isso ultrapassada. O bom e velho Holocausto está realmente de volta ao front. Corra para a linha-de-frente, ou perca a guerra que está por vir." - Por: Alexandre Oliveira, Metal Attack Webzine.

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