Holocausto de Volta as Armas - "Tudo
bem que a onda de 'revivais' que observamos no rock e no metal nos últimos
tempos tem interesses bem mais, digamos, 'pe$$oai$' do que artísticos.
Porém, simultaneamente ás tours milionárias de bandas
repentinamente redevivas e de inimigos históricos que, da noite
para o dia, 'superaram as diferenças', há muitos (talvez
nem tantos...) casos em que a música falou mais alto e a vontade
de continuar uma trajetória interrompida precocemente acabou sendo
o principal motivador.
Em Minas gerais, há vários exemplos disso e um dos principais,
sem dúvida, é o retorno à cena de uma das mais emblemáticas
bandas dos anos 80, o Holocausto. Valério Exterminator (guitarra
e vocal), Rodrigo Führer (bateria e vocal) e Anderson Guerrilheiro
(baixo e vocal) - ou seja, a formação clássica da
banda - retornaram pelo mesmo selo que os lançou nos anos 80, Cogumelo
Records, e com um álbum não por acaso intitulado De Volta
ao Front após mais de dez anos de silêncio: 'A banda havia
passado por várias mudanças de formação e a
proposta inicial acabou descaracterizanda. Então, entendemos que
era o momento de fechar o ciclo', lembra Rodrigo. Porém, 'a relação
de respeito que temo pelo Holocasuto' acabou kotivando a volta da banda,
no ano passado, conforme lembra Valério. 'Nós três,
que formamos a essência do grupo, temos consciência da força
e energia de nossa união e sabemos que ainda temos muito a dar ao
Holocausto', diz ele, lembrando que o relançamento do disco de estréia
do Holocasuto, o clássico Campo de Extermínio (originalmente
de 87), 'foi apenas a etapa que faltava para nos reaproximar'. Valério
acredita que o relançamento do álbum se reveste de importância
'muito grande, pois resgata o que a banda dez de melhor e possibilita à
nova geração de bangers conhecer esse trabalho, que é
considerado um clássico mundial.'
Porém, quem ouvir De Volta ao Front não vai sentir falta
dos anos 80: o som da banda, baseado no Thrash, no Death e no Hardcore,
continua com uma sonoridade totalmente oitentista e até mesmo com
as letras em português. Em relanção ao som, Valério
comenta que 'essa é a proposta do Holocausto e o técnico
João Marcelo (não por acaso, um ex-integrante do grupo) entendeu
bem o que queríamos. Foi ele quem selecionou o som das guitarras
e baixo, devemos a ele a sonoridade oitentista do disco.' O guitarrista
lembra também que o álbum foi gravado praticamente ao vivo,
ou seja, bateria, baixo e guitarra foram tocados e gravados ao mesmo tempo.
'Apenas os vocais foram acrescentados posteriormente - e cinco dias o CD
estava terminado', informa ele.
Como as influências dos integrantes 'permanecem intactas', nas palavras
de Valério, ele acha válido que se compare o Holocausto de
hoje com o dos anos 80. 'As maiores diferenças estão nos
vocais, pois em Campo de Extermínio o Rodrigo fazia a voz principal
e o Anderson fazia alguns vocais. Agora, todos estão cantando.'
Naturalmente, a intenção desse retorno é lançar
disco, fazer turnê e tudo o mais - 'de volta ao front para permanecer
na batalha', como diz Valério. E ele garante que a motivação
e a garra dos músicas estão intactas: 'Quando você
é justo com seus princípios, consegue passar para o público
a sua verdade e o público responde curtindo seu trabalho. Assim,
conseguimos disposição para seguir em frene, principalmente
quando os momentos difícesis surgem.' E completa: 'Com o retorno
da sua essência - ou seja, os três integrantes -, o Holocausto
tem a oportunidade de mostrar a todos a sua verdadeira identidade.'
E não é so a postura da banda que permanece a mesma. Alguns
detalhes que marcaram sua carreira, com as letras em português, também
continuam lá. 'O Holocausto entende que faz música em primeiro
lugar para os bangers de seu país', garante o guitarrista, 'e acha
justo que, ao comprar o CD e colocá-lo no aparelho, eles possam
entender a mensagem através das letras.'
Um problema que a banda acabou involuntariamente gerando tinha a ver com
seu próprio nome. A despeito de o grupo ter sido batizado de Holocausto
justamente como uma forma de criticar todas as formas de opressão
, brutalidade e preconceito (coisa, aliás, que fica claro nas letras
do grupo), teve gente que resolveu adotar a solução simplista
de concluir que se tratava de uma banda nazista - o que, inclusive, fez
com que o trio pasasse por situações difíceis e desagradáveis.
Um delas, porém, beiraria o cômico se não fosse ridícula:
'Um belo dia, recebemos um convite da Frente Nazifacista do Rio de Janeiro
para ingressar na causa deles, pois concluíram que a banda e os
integrantes eram nazistas', conta ele.
Valério dis que tem acompanhado a cena atual do metal brasileiro
'com muito respeito, creio que temos excelentes bandas hoje em dia.' Isso,
porém, não impede de ser crítico: 'Algumas bandas
ainda não mostram identidade própria, pois acabam permitindo
que o lado fã influencie demais. Quando você curte um grupo,
é normal se influenciar por ele, mas é necessário
estar atento para não se tranformar em uma banda cover.'"
Fonte: http://www.rockbrigade.com.br
Entrevista
por: Antonio Carlos Monteiro, Rock Brigade.