Cada vez mais a reunião de bandas clássicas rende uma notícia no meio metálico, sendo que na prolífera cena mineira a coisa não é diferente. Após o consagrado retorno do Chakal, editando o magnífico petardo Demon King, além das voltas do Sextrash e Witchhammer, os banguers nacionais, especialmente os mineiros, já podem começar a comemorar outro renascimento de peso: O Holocausto, ícone dos anos 80, está de volta a cena com seu mais novo álbum, De Volta Ao Front. Nesta importante entrevista, o vocalista/guitarrista Valério Exterminator dá todos os detalhes acerca desta aclamada reunião, exemplifica as principais influências musicais do Holocausto, fala sobre as novas composições, além das citar os próximos shows que marcarão, felizmente, o reencontro com os devotos fãs.
Novo Metal Webzine - Em Dezembro de 2004, a formação clássica do Holocausto - Valério Exterminator (vocal/guitarra), Anderson Guerrilheiro (vocal/baixo) e Rodrigo Führer (vocal/bateria) - reencontrou-se para um ensaio 10 anos após o encerramento das atividades do grupo. O que levou a concretização dessa reunião depois de tanto tempo separados?
Valério Exterminator - A grande amizade dos três e a energia que rola quando estamos tocando, além da saudade de tudo que fizemos nos anos 80 e a certeza que poderíamos voltar e dar nossa contribuição à cena nacional.
Novo Metal Webzine - Para
a felicidade de seus inúmeros fãs, o Holocausto anunciou
que estava trabalhando em novas composições que, conseqüentemente,
finalizaria o hiato de 12 anos sem lançar um disco novo desde Tozago
As Deismno, de 1993. Como foi a criação destes temas que
originaram o álbum de regresso do Holocausto?
Valério Exterminator
- Partimos do clássico Campo de Extermínio e eu, particularmente,
me inspirei no Hardcore e suas tendências (Discharge, S.O.D, D.R.I).
Ouvi muito Sodom e Celtic Frost, além do Slayer no Undisputed Attitude.
Novo Metal Webzine - Enfim,
passados alguns meses de árduo trabalho, este objetivo do grupo
foi celebrado no início deste ano com o lançamento do De
Volta Ao Front, que, assim como os demais discos do Holocausto, foi lançado
pela renomada gravadora Cogumelo. A banda se sente satisfeita em, novamente,
ter o apoio do selo que a descobriu na década de 80?
Valério Exterminator
- Sem dúvida alguma, tanto é que nos agradecimentos colocamos
"a Cogumelo que sempre acreditou no Holocausto".
Novo Metal Webzine - De
Volta Ao Front foi gravado, mixado e masterizado no Studio Tupatoo em Outubro
de 2005, sendo que a produção ficou a cargo da própria
banda em conjunto com João Marcelo e Rossano. Quais os fatores determinaram
na escolha deste estúdio e dos profissionais que deram suporte para
a concepção do álbum? O resultado final alcançou
a expectativa almejada por todos?
Valério Exterminator
- A escolha se deu devido à posição do Holocausto
de sempre valorizar a amizade e, evidentemente, a competência. O
Studio Tupatoo é do João Marcelo, ex-baixista do Holocausto.
O Rossano, ex-vocalista do Holocausto e meu professor de canto, foi o responsável
pela mixagem dos vocais. Ficar cercados de amigos e pessoas que viveram
o Holocausto e ainda sentem prazer de colaborar na volta da banda, era
o clima que nós três mais precisávamos para nos sentirmos
em casa no Studio Tupatoo. Quanto ao aspecto profissional, o estúdio
tem uma excelente aparelhagem e João Marcelo é extremamente
competente e muito tranqüilo, o que, sem dúvida, ajudou a transmitir
segurança e tranqüilidade, dois ingredientes importantes para
o sucesso de uma gravação. Estamos muito satisfeitos com
os resultados e acreditamos que todos que escutarem também estarão,
apesar de que agradar a todos é impossível.
Novo Metal Webzine - Logo
nas primeiras audições, De Volta Ao Front apresenta o Holocausto
investindo numa sonoridade revigorada e que, mesmo conservando algumas
passagens do estilo executado pela banda nos anos 80, tem como principal
característica uma acentuada influência do Hardcore, que geraram
faixas bem agressivas. Como foi incorporar essa vertente dentro do padrão
musical do grupo?
Valério Exterminator
- Essa vertente nasceu com a banda em 1985 e não foi de maneira
alguma incorporada. Para você ter uma idéia, eu tinha todos
os LP de Punk/Hardcore da época, tais como R.D.P, Olho Seco, Brigada
do Ódio, Rattus, Exploited e S.U.B. O Holocausto é uma banda
de War Metal com influências de Hardcore. No Campo de Extermínio
você pode observar o Anderson Guerrilheiro com a camisa do Discharge,
eu e o Rodrigo Fürher com camisas do Voi Vod. Fica bem claro que,
desde o início, a proposta do Holocausto era unir o peso e riffs
do metal à agressividade e rapidez do Hardcore.
Novo Metal Webzine - A
partir dessa mudança estilística, a banda não teme
que alguns fãs extremistas mais radicais virem suas costas e não
apóiem este retorno com De Volta Ao Front? Qual a sua opinião
sobre essa possibilidade?
Valério Exterminator
- O Holocausto é uma banda de personalidade, em 1987 nossa temática
era o nazismo, guerra do Vietnã, o terrorismo, enquanto a maioria
falava de demônios. Criamos o estilo War Metal, enquanto todas as
outras eram Black, Death ou Thrash Metal. Os nossos verdadeiros fãs
vão se lembrar que no encarte do LP Campo De Extermínio fizemos
agradecimentos para bandas, como R.D.P, Rattus, Voi Vod, Motorhead e Exploited.
Então, fica bem claro do que o Holocausto realmente gosta, que é
a união do metal com o Hardcore. Acreditamos que os verdadeiros
fãs receberão esse CD como um presente pela longa ausência
de uma banda extremamente original.
Novo Metal Webzine - Assim
como o debut-album Campo De Extermínio, os temas que compõem
De Volta Ao Front vieram recheados de mensagens bastante fortes, principalmente
se pegarmos de parâmetro alguns destaques do seu track-list como
"Miséria Humana", "Resista", "Direitos Desumanos" e "Imagens da
Violência". Quais foram as principais fontes de inspiração
usadas na confecção destas letras?
Valério Exterminator
- "Direitos Desumanos" (letra Valério): Minha fonte de inspiração
é a realidade, apenas a realidade. Normalmente faço uso do
google para pesquisar datas e nomes que marcaram a história de sofrimento
da humanidade. Como os jornais dão muita ênfase aos direitos
humanos, fiz uma pesquisa na net e depois comparei a proposta dos direitos
humanos com a realidade em que vivemos, achando que o mais correto era
mudar o termo para Direitos Desumanos; "Imagens Da Violência" (letra
Valério): Pensei em escrever uma letra que resumisse todos os acontecimentos
que marcaram a nossa história e selecionei os principais, aqueles
fatos que realmente, ao ler a letra, você automaticamente busca em
sua memória a imagem do que está lendo. Esta é, na
minha opinião, uma das melhores letras que já fiz; "Miséria
Humana" (letra Valério e Rodrigo): Buscando explicações
para a degeneração da raça humana, encontrei alguns
fatores que têm contribuído para tal condição:
a ignorância, a alienação, o capitalismo, a religião,
as drogas, as armas e a violência. Como o Rodrigo é o vocal
líder dessa música, ele acrescentou algumas frases, dando
ainda mais sentido a idéia inicial; "Resista" (letra Anderson):
Ele se inspirou nos fornos crematórios da época do nazismo
e nos atentados terroristas das tôrres gêmeas.
Novo Metal Webzine - O
fechamento com chave de ouro em De Volta Ao Front ocorre na estupenda "Warfare
Noise", trazendo consigo as participações especiais de Korg
(Chakal) e Sílvio SDN (Mutilator), ambos responsáveis pelas
letras e vocais nesta faixa. Como surgiu a idéia em torno dessa
faixa em especial? Desde o princípio ela me soou como uma autêntica
homenagem ao metal mineiro, principalmente a cena oitentista, concorda?
Valério Exterminator
- A idéia partiu de fazer uma homenagem a todos aqueles que
participaram do surgimento do Metal de BH, quais sejam: a Cogumelo, as
bandas da clássica Warfare Noise e a todos os bangers dos anos 80.
Eu particularmente liguei para o Korg, Sílvio e Wagner (N.R: líder
do Sarcófago que, infelizmente, não aceitou o convite) e
coloquei a situação, afinal, no ano seguinte, (N.R: as ligações
foram feitas em 2005), 2006, a Warfare Noise completaria 20 anos de lançamento.
Korg e Sílvio foram extremamente receptivos ao convite, e o resultado
não poderia ser diferente: quando fazemos algo que realmente acreditamos,
damos nosso melhor e assim o Holocausto agradece as participações
dos amigos Korg e Sílvio. Sem dúvida ela soa anos 80 e ainda
acrescentamos os "oi" que é o refrão Punk daquela época
e assim também prestamos a nossa homenagem a cena que nos influenciou
no início, ou seja, o movimento Punk/Hardcore de São Paulo.
Novo Metal Webzine - Aproveitando
o assunto saudosista, gostaria de abordar algo referente ao clássico
Campo De Extermínio, lançado em 1987. Assim que este trabalho
foi disponibilizado na época, começaram os comentários
que o Holocausto era simpatizante do nazismo, isto baseado, erroneamente,
devido a arte do álbum e na temática abordada em suas letras.
De que forma vocês se portaram perante os comentários gerados
naquele momento? Estes acontecimentos ocasionaram em algum tipo de retaliação
a banda durante a divulgação do material, especialmente nos
shows?
Valério Exterminator
- A única retaliação que se teve notícia
foi à proibição do LP na Alemanha, nada aconteceu
nos shows. Penso eu que os bangers, ainda que meio confusos com a proposta
da banda em usar o visual com as suásticas, entendiam que ali estava
uma banda de metal com personalidade e a questão ideológica
não era de forma alguma favorável ao nazismo, assim como
também, hoje, não somos favoráveis ao neonazismo.
Mas, principalmente, não nos consideramos em posição
de fazer qualquer julgamento, apenas relatamos a realidade dessa decadente,
hipócrita e medíocre humanidade.
Novo Metal Webzine - Em
1988, durante os preparativos para o segundo "full-lenght" do grupo, você
deixou o grupo por motivos de ordem pessoal. Contudo, após a sua
saída, o Holocausto continuou na ativa, disponibilizando discos
dentre os anos de 1988 e 1993. Houve um acompanhamento desta fase por sua
pessoa? Qual a sua opinião a respeito dos álbuns Blocked
Minds (1988), Negatives (1990) e Tozago As Deismno (1993)?
Valério Exterminator
- Quando saí da banda decidi jamais me informar sobre qualquer
coisa ligada ao Holocausto, pois saí muito decepcionado.Apenas após
a gravação do De Volta Ao Front que o Rodrigo me passou os
outros trabalhos do Holocausto e pude ouvir, mas confesso que ouvi pouco
e ainda não tenho uma opinião para dar.
Novo Metal Webzine - Voltando
a focar no período atual vivido pelo Holocausto, por quê a
banda não realizou nenhum show na capital mineira antes do lançamento
de De Volta Ao Front? Pergunto isso, pois, diferentemente de vocês,
outros nomes da mesma época como o Sextrash e Witchhammer, que também
retomaram as atividades e estão em via de disponibilizar seus novos
trabalhos, realizaram alguns shows de aquecimento mostrando suas novas
composições ao público...
Valério Exterminator
- Quando nós voltamos, isso no dia 18 de dezembro de 2004, eu
apresentei duas ou três músicas novas e começamos a
direcionar nossa estratégia de retorno. O Holocausto sempre faz
o planejamento para os próximos três meses, então decidimos
que primeiro iríamos compor músicas para um provável
novo CD. Quando fomos convidados pelo Wander, da Andrômeda, para
participar do festival Guerreiros Old School (N.R: realizado em 07 de Maio
do ano passado em Belo Horizonte), não tínhamos, ainda, tocado
em ensaio nenhuma música do Campo de Extermínio, sendo que
as músicas novas estavam com os vocais, mas sem letras. Assim sendo
o que nós planejamos deu certo, pois dez meses depois do primeiro
ensaio nós já tínhamos gravado o De Volta Ao Front.
Novo Metal Webzine - Ainda
no assunto de shows, como estão os planos do Holocausto em torno
da turnê de divulgação para De Volta Ao Front? Nestas
futuras apresentações o set-list executado será dividido
entre faixas de quais álbuns lançados pela banda?
Valéro Exterminator
- Estamos com shows ainda para confirmar em Goiânia, Gama, Brasíliae
São Paulo, mas confirmado mesmo apenas em BH, dia 8 de abril, na
casa de shows Matriz, e no Rio De Janeiro, dia 16 de abril. O set-list,
no total de 13 músicas, se divide atualmente em cinco do Campo de
Extermínio e oito do De Volta Ao Front, mas é claro que podemos
acrescentar ou trocar alguma música se acharmos necessário.
Novo Metal Webzine - Valério,
como você analisa o atual estágio da cena underground em Minas
Gerais, principalmente em Belo Horizonte? Em sua visão, existe alguma
chance de, nos dias atuais, chegarmos a ver novamente o mesmo apoio e devoção
que grupos locais obtinham dos fãs nos saudosos anos 80?
Valério Exterminator
- O Holocausto entende que o passado já deu sua contribuição,
pois, se todas essas bandas retornaram, é porque no passado elas
fizeram o que tinha que ser feito e fizeram muito bem, da mesma forma os
bangers daquela época também cumpriram com a parte deles,
apoiando a cena de BH e a fazendo respeitada no mundo. Quanto ao presente,
acredito que com a chegada às lojas dos CD’s do Holocausto, Wicthhammer
e Sextrash, além do já aclamado Chakal, a cenade BH se fortalecerá,
pois bandas como Drowned e outras vem mantendo o nome de BH em alta há
anos e a chegada das bandas dos anos 80 servirá para reafirmar o
que todos já sabem: Belo Horizonte sempre será a capital
do Metal.
Novo Metal Webzine - Encerramos
por aqui esta conversa que, certamente, foi de extrema importância
para os que puderam colher as novidades com você, Valério,
a cerca de um dos maiores ícones do metal nacional em todos os tempos,
o Holocausto. Em nome do Novo Metal Webzine, agradeço imensamente
essa entrevista, e deixo o espaço abaixo aberto para suas considerações
finais...
Valério Exterminator
- O Holocausto agradece a você, Ayrton, e o Novo Metal Webzine
pela oportunidade que nos foi dada e parabeniza a excelente qualidade das
perguntas. Esperamos que todos possam escutar o De Volta Ao Front com a
certeza que nossa proposta é a mesma de 1985, ou seja, a de unir
o peso e riffs do Metal à agressividade e rapidez do Hardcore. Convidamos
vocês para visitarem nosso site www.holocaustowarmetal.kit.net. E,
caso queiram tirar qualquer dúvida quanto ao Holocausto, podem anotar
meu msn (vallpersonal@hotmail.com) e email (vallpersonal@ig.com.br). Terei
um grande prazer em trocar idéias com todos os bangers. Se você
é produtor e tem interesse em levar o Holocausto para sua cidade,
entre em contato comigo e negociaremos com muito prazer essa possibilidade.
Para finalizar o Holocausto agracede a todos os bangers nacionais, os dos
anos 80 e os atuais, pois vocês têm apoiado a cena nacional
com muita honra e esperamos retribuir isso levando o Warcore Metal em sua
cidade. HAIL BANGERS! HAIL NOVO METAL WEBZINE! HAIL WARCORE!
Fonte: http://www.novometal.com
Por: Ayrton Ferreira Junior.