Entrevistas: Metal Attack Webzine
(www.holocaustowarmetal.kit.net)

HOLOCAUSTO DE VOLTA AO FRONT, ENTREVISTA COM O METAL ATTACK MAGAZINE ONLINE - Considero uma tarefa árdua, nessas poucas linhas, introduzir ou até mesmo falar sobre a importância do Holocausto no cenário metálica nacional. Por isso resolvi colocar na integra a resenha feita por Vladimir Korg (Chakal), falando sobre o retorno do Holocausto aos palcos, pois nas palavras de Korg está sintetizado tudo o que esta banda mineira representou, representa e ainda representará, de uma forma clara, única e de fácil compreensão. Após essa pequena introdução, você vai se deparar com uma entrevista exclusiva com o guitarrista/vocal Valério “Exterminator”, o baterista/vocalista Rodrigo “Führer” e o baixista/vocal Anderson "Guerrilheiro"(fundadores da banda) que vão nos contar tudo sobre esse retorno do Holocausto ao campo de batalha e ainda esclarecer muitas duvidas que pairavam por muitos e muitos anos.

Metal Attack - Para iniciar, gostaria que vocês comentassem o que levou o Holocausto a retornar suas atividades e qual sua atual line-up hoje?

Holocausto - O que motivou nosso retorno foi o reencontro dos membros fundadores quase 18 anos após a gravação do "Campo de Extermínio". Depois de tanto tempo nós três voltamos a sentir aquela mesma energia devastadora de tempos atrás e decidimos voltar a tocar. A line–up atual é: Rodrigo (bateria e vocal), Anderson (baixo e vocal) e Valério (guitarra e vocal).

Metal Attack - Muitas bandas da mesma época do Holocausto estão retornando ou já retornaram como é o caso do Vulcano, Chakal, Withchammer, Atomica, Centúrias. Recentemente o Carlos “ex-vândalo” do extinto Dorsal Atlântica declarou que acha esses “retornos” lance de puro oportunismo, na sua opinião o que se deve fazer para que o Holocausto não passe essa impressão ao público?

Holocausto - O Holocausto em 1986 definiu seu estilo de War Metal com letras voltadas para as guerras, terrorismo, nazismo e conflitos religiosos. Pelo que sabemos nenhuma banda no mundo era conhecida como War Metal, ou seja, o Holocausto há 20 anos já deixava bem claro ter personalidade própria. Retornamos por que acreditamos no que fazemos, sabemos fazer e amamos o que fazemos.

Metal Attack - O “Campo de Extermínio” foi um trabalho que causou forte impacto em sua época (1987), mesmo dizendo que intenção não era de apologia ao nazismo, vocês não imaginaram que corriam um risco muito grande de serem criticados? Inclusive no encarte da versão original em vinil há até um agradecimento à Frente Nazifacista do Rio, na ocasião como foi a receptividade do público em relação àquela proposta do Holocausto?

Holocausto - Como foi dito na resposta anterior o Holocausto tem a proposta de dizer o que pensa baseado em sua convicção de liberdade de expressão, aqueles que têm como atitude julgar os outros que façam o que achar correto. O Holocausto mantém sua proposta de relatar em suas letras e em seu visual a indignação de uma humanidade que vive na superficialidade. Quanto a Frente Nazi-fascista do Rio, recebemos uma carta após o lançamento do "Campo de Extermínio", nos convidando para ingressar na FN, explicamos nossa posição e agradecemos no encarte pela aceitação do LP, independente das divergências ideológicas.

Metal Attack - Lembro que no lançamento do seu segundo trabalho “Blocked Minds” a grande maioria dos antigas fãs não apreciaram o novo direcionamento da banda, o que levou vocês a tomarem novos rumos?Que significado tem para vocês a capa do disco "Blocked Minds"?

Holocausto - Quando se troca o guitarrista de uma banda, principalmente quando essa banda só tem um guitarrista é normal que exista mudança no direcionamento musical, pois cada guitarrista (compositor) tem suas influências musicais. A capa é uma referência às pessoas que têm a mente condicionada e por isso limitada e bloqueada.

Metal Attack - Neste mesmo disco há uma faixa chamada Tribute to Cicciolina. Atualmente, quem mereceria uma homenagem?

Holocausto - Bin Laden, Papa , Bush e etc.

Metal Attack - O quarto álbum “Tozago As Deismno” é bem diferente dos anteriores do Holocausto. Levando em consideração a sua sonoridade você não acha que seria melhor vocês terem lançado esse disco como um projeto paralelo ao Holocausto, já que esse disco não tinha praticamente elemento nenhum de metal?

Holocausto (Rodrigo Führer) - Descordo pois o disco tem vários elementos do Metal e por força de contrato não poderíamos mudar o nome da banda.

Metal Attack - O álbum “Campo de Extermínio” até hoje soa bastante extremo. Seria intenção da banda hoje em dia, dar continuidade a esse trabalho? Falo tanto da parte lírica quanto musical, você acha que as pessoas vão estar preparadas para assimilar a proposta do Holocausto?

Holocausto - Agora que a essência da banda está reunida os ideais continuam os mesmos, tanto nas letras, sonoridade e visual. Acreditamos na força daqueles que nos apoiaram e apóiam pela gravação do “Campo de Extermínio”. Para a nova geração de bangers um recado: o Holocausto está DE VOLTA AO FRONT para somar à cena do Metal Nacional e aos membros das bandas da nova geração outro recado: o Holocausto não veio para tomar o lugar de ninguém, pois nosso lugar foi conquistado há 20 anos e nossa proposta é a de UNIÃO e RESPEITO por todas as bandas que mantiveram o Metal Nacional na posição de destaque.

Metal Attack - Hoje em dia muitas bandas, principalmente ligados ao black metal, pregam o nazismo em suas letras. Como você vê isso e qual sua visão sobre o cenário metálico atual de uma forma geral?

Holocausto - O Holocausto acredita na liberdade de expressão. A única preocupação do Holocausto em relação ao cenário atual é que aja uma separação e enfraquecimento do Metal Nacional devido ao radicalismo daqueles que só curtem um estilo de Metal. Quando é que os radicais perceberão que estão “lutando” contra aqueles que estão defendendo a mesma causa?

Metal Attack - Agora falando um pouco do passado, para muitos (como eu), aquele movimento que aconteceu em BH na segunda metade dos anos 80 foi grandioso. Tempos do Warfare Noise I, vários shows, enfim uma época que ajudou a consolidar o heavy metal nacional como um dos melhores do mundo. Mas lembro que na época nem tudo eram flores, faltava apoio, aparelhagem e condições, que lembranças vocês guardam daqueles tempos? Se quiser contar algumas historias interessantes daqueles tempos, fique a vontade.

Holocausto - Difíceis sim, mas inesquecíveis, pois conquistamos o nosso espaço, demos um grito de revolta contra o que estava estabelecido pela casta através da música/metal e isso ecoou pelo mundo inteiro. Uma passagem interessante se deu na estréia do Holocausto em Jeceaba, interior de MG no dia 18 abril de 1986. Fomos convidados pelo Silvinho (guitarrista do Freax – a mais fudida banda que nós já vimos tocar), para abrir o show. Fomos de trem para aquela cidade que nunca tínhamos ouvido falar e muitos, muitos bangers inclusive muitas bangers nos acompanharam e chegando lá o local do show era numa discoteca, com tudo que uma discoteca tem direito (risos). Ainda no camarim, veio o primeiro susto por parte do cara que tinha contratado o “show”, quando ele entrou no camarim foi visível pelo olhar dele que não tinha a mínima idéia do que tinha contratado, pois estávamos terminando o visual (o mesmo do LP). Coitado, aquilo era apenas o começo, pois quando subimos no palco os bangers tomaram conta com os “moshs” e “bate-cabeça”, aqueles que estavam dançando a música da discoteca ficaram literalmente paralisados sem reação e me lembro bem do Lú (baterista e vocal do Freax, que morou anos nos EUA e trazia todo o material que curtíamos na época). Ele e seu quase um metro e noventa de altura, fazendo mosh e abrindo a roda (risos). São lembranças que o tempo não apaga.

Metal Attack - Uma curiosidade, como surgiu a idéia do rótulo “War Metal”? O que levou a banda a adotar aquele visual carregado, roupa camuflada, armas (de pressão) etc?

Holocausto - O estilo War Metal foi criado pelo Mark (esse humilde e excelente guitarrista do Chakal) após ouvir nosso som, letras no ensaio e ver o visual através das fotos. Ele nos definiu de War Metal sendo imediatamente aceito pelos membros da banda. Aliás, queremos pedir um favor para essa competente equipe do Metal Attack, que tal uma pesquisa para informar, qual foi a 1ª banda do mundo a usar o estilo War Metal? Temos essa curiosidade, pois na época não tínhamos informação de que havia outra banda do estilo e desde 1985 somos War Metal.

Metal Attack - Durante a última passagem da banda Behemoth pelo Brasil, o Metal Attack os entrevistou e o seu líder guitarrista/vocal Nergal se mostrou fã do metal brasileiro dos anos 80 e inclusive contou que seu primeiro pseudônimo era Holocausto. Na sua opinião o metal nacional dos anos 80 pode ser considerado vanguardista, principalmente se tratando de metal extremo?

Holocausto - Alguém duvida disso? Principalmente as bandas mineiras, que influenciaram uma geração de músicos/metal no mundo inteiro.

Metal Attack - Vocês chegaram a ser cogitados a tocar no festival Guerreiros Old School que foi realizado em maio em Belo Horizonte. Por que vocês não participaram do evento? Existe alguma previsão de vocês tocarem ao vivo?

Holocausto - Primeiro por que não estávamos tocando as músicas do “Campo de Extermínio”, tínhamos todas as músicas do “De Volta ao Front” prontas mas sem vocal e segundo por que o Rodrigo (baterista e vocal) estava com o braço engessado devido a uma fratura no punho. Pretendemos retornar aos palcos após o lançamento do “De Volta ao Front”.

Metal Attack - Gostaria de agradecer a vocês, a atenção dispensada ao Metal Attack e como de costume, esse último espaço é inteiramente seu para suas últimas considerações. Fique a vontade e deixe (se possível) uma mensagem aos velhos apreciadores do Holocausto.

Holocausto - É muito importante nesse momento agradecermos àqueles que têm nos dado crédito pelo retorno como por exemplo o Korg, Wiz e Mark (Chakal) , Wagner (Sarcófago), Sílvio (Mutilator), Paulinho e todos do Witchhammer, Morto (baterista do Comando Caos/banda Hardcore com Wagner/Sarcófago nos vocais e guitarra), Junior (baixista do Sextrash), André (baterista do Eminence), Ronaldo (baterista do Impurity), Ameba (vocal do Ataque Epilético), Aléx (guitarra/vocal do Unleash Hell), João (Cogumelo), Vander (Andrômeda). Aos irmãos Arlindo e Arnaldo (Programa Mega Metal/Horda do Extremo) e o Anderson proprietário da Avalanta FM 90.3. Rômulo (Programa Metal) da Rádio Alternativa, a revista virtual Metal Attack, ao Alessandro Escarro Napalm (criador do site oficial www.holocaustowarmetal.kit.net). Aos fãs que de alguma forma ficaram sabendo do retorno do Holocausto e começam a mandar emails: Rafael Destructor (Extermínio/Dourados), Wesley Cantizano (SP), e um agradecimento mais do que especial às bandas que deram força e mais vida a cena do Metal Nacional e merecem todo o respeito por parte do Holocausto: Violator (DF), Eternal Devastation (GO), Eternal Torture (BH), Unleash Hell (BH), Hecate (CE), Carahter (BH). E mais uma vez a você, Jorge e ao Metal Attack, pois essa é a primeira entrevista do Holocausto após seu retorno. HAIL WAR … WAR … WAR METAL!

Fonte: http://www.metalattack.com.br
Entrevista por: Gustavo Alves & Jorge Krening.